sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Conversas de cabeleireiro

Uma das maravilhas de não ir aos cabeleireiros de centros comerciais, cheios de gente muito chique é que além de se pagar bem menos o entretenimento é de muito melhor qualidade.
Hoje depois do trabalho achei que já era altura de dar um jeitinho às pontas espigadas e fui em busca de um cabeleireiro aqui ao pé de casa. Como sou um bocado calona para andar à procura entrei no café, comprei 2 pastilhas (eu sou calona e forreta…) e perguntei onde era a cabeleireira mais próxima.
A senhora lá me dei as indicações e fiquei a saber que numa das casas nem a 5 minutos daqui há uma senhora que fez um salão na garagem.
Lá fui eu, toda lampeira, pronta a lavar, cortar e secar.
Estavam lá mais 3 senhoras além de mim e a conversa andava à volta do tópico das doenças.
As gripes, a pneumonia que uma tinha apanhado, a gota do marido de não sei quem, o cancro do rapaz de não sei de onde que morreu tão novo que desgraça… até que, sem aviso prévio, uma das senhoras larga a bomba:
- Ai, com as doenças uma pessoa apanha cada desgosto… A minha mais velha apanhou um mal na boca do corpo que até injecções teve de levar. Eu bem lhe disse que não se desse assim, eu ensinei-a que o amor só se faz casada com o marido mas agora os tempos são outros… Coitadinha, andou muito aflita, que é uma zona que se sente muito, não é? Eu já lhe disse, oh filha, tu vais com eles, mas depois lava-te bem lavada, ouviste?
Eu apertei os lábios com força e enterrei-me no sofá com a revista a esconder-me a cara…. “Não te rias, Anita.. tu não te rias!”. Mas a senhora continuava…
- É que eles não lavam bem lá… lá… a coisa e depois as mulheres é que se infectam todas… que a boca do corpo apanha esses males com muita facilidade. Eu felizmente nunca tive assim desses problemas, mas também não me andava a deitar com o meu homem todos os dias que no nosso tempo não era assim… agora as moças até parece que gostam…
A cabeleireira, que era uma rapariga dos seus 30 parecia estar a fazer um esforço quase tão grande como eu para não se desatar a rir…
- Isto são coisas da televisão, elas agora são mais informadas também… não é… agora eles mostram tudo na televisão. Não é como o nosso tempo… eu quando me casei nem sabia como é que era um homem sem calças. E mesmo depois a gente não olhava, não era… Tudo debaixo dos lençóis. Mas felizmente nunca apanhei nenhum mal lá… lá em baixo… Mas também sempre comi muitas nabiças que dizem que têm muitas vitaminas e ajuda combater o mal.
Felizmente o penteado estava terminado e com ele a conversa.

3 comentários:

Felina disse...

loooooool a minha vantagem é que aqui eu pude me rir a vontade looool


PS obrigado pela visita

Ah já me ia esquecer naquela altura ainda não existiam dodotes :D

JS disse...

Excelente post! Além de ser mais barato, teve divertimento á bolra!!! ;)

Ana Laranja disse...

Felina - Uma época em que não existiam dodots? E como é que sobreviviam?

JS - Só vantagens... só vantagens!