quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Tinha começado assim

plano era recuperar o sono perdido das últimas duas noites e ir para a cama cedinho. Se há coisa que nós vamos aprendendo ao longo da vida é planos leva-os o vento.
O banhinho estava tomado. Tinha a minha chávena de chá de menta. Tinha o meu livrinho na mesa de cabeceira. Chegada à página 37 começa a festa.
O meu quarto é paredes meias com o quarto dos vizinhos do 3º Esquerdo e os vizinhos do 3º esquerdo são... animados. Sextas feiras á noite é dia de rambóia e eles levam a rambóia muito a peito.
Lá vieram os habituais "ai, amor... ai, ai" e os "ui, que bons".
Não me interpretem mal... não sou púdica nem tenho problemas com o sexo escaldante alheio... mas hoje estava molinha e aqueles gemidos todos estavam a fazer com que a minha cama parecesse demasiado grande.
Levantei-me, peguei no portátil e fui para a sala.
Mandei uma mensagem ao João na esperança que ele tivesse em casa e lhe apetecesse ir para o messenger mas não me respondeu.
Comecei a passear pela net.
Por aqui.
Por ali.
Ora deixa-me cá procurar se alguém também tem vizinhos barulhentos.
Abro o google, escrevo "vizinho a ter sexo" e aparece-me logo esta fantástica notícia:

Assassinado por simular sexo com frigorífico

A simulação de relações sexuais com um frigorífico foi ontem apresentada, no tribunal da Lousã, como o motivo que desencadeou uma reacção que viria a culminar com um homicídio, numa aldeia serrana. O autor do crime, um português de 27 anos, disse ao colectivo de juízes que interpretou esses "gestos obscenos" feitos pela vítima como uma ofensa à sua companheira. Tudo se passou a 28 de Abril de 2005, em Catarredor, Lousã. O arguido, acusado de homicídio qualificado, contou que estava a almoçar com vizinhos, quando a vítima, austríaco, de 47 anos, entrou embriagado.
(...)
Ao início da noite diz ter continuado a pensar no assunto. Os outros vizinhos ainda o terão tentado convencer a "não ligar", porque a vítima "era assim quando bebia". Mas sem sucesso. "Descontrolei-me. Deixei-me levar um bocado pelas emoções", admitiu.

Dirigiu-se a casa da vítima, alegadamente para conversar, mas levou uma catana que tinha em casa.
(...)
A conversa "começou a azedar", na versão do arguido, a partir do momento em que a vítima lhe terá dito que a sua companheira "ainda poderia vir a ser a namorada dele". A partir daí admitiu ter-se descontrolado e deu-lhe "uma série de catanadas". Segundo a PJ, só na cabeça a vítima foi atingida com 16 golpes."

Quem acha que depois desta descoberta a minha noite não podia melhorar está bem enganado. É que fiquei entusiasmada com o meu sucesso e continuei as minhas pesquisas.
Qual o meu espanto quando descubro um mundo de blogs que poderiam muito bem ser dos meus vizinhos "anda-cá-que-te-como" ali do lado.
Quis comentar um deles... mas não aceitava comentários anónimos.
Quis comentar outro... mas tinha de ter conta no blogger.
Estão a ver onde isto vai chegar, não estão?
Ora que coisa! 3 da manhã parece-me uma hora tão boa como outra qualquer para criar um blog.
Se bem o pensei melhor o fiz. Treca-treca-treca e nasce o 3º Frente. A minha janela para espreitar o que se passa por de trás de outras portas fechadas.
Sejam bem vindos, mas limpem os pés antes de entrar.

4 comentários:

carpe vitam! disse...

estava aqui a ler-te e fizeste tanto lembrar-me um outro blog que havia chamado 3º frente... coincidência?
Gosto de bom humor vitaminado!
vou continuar a vir cá, de certeza!

Ana Laranja disse...

Como assim coincidencia? Não, não, não... Ora!
A Aninhas continua por aqui, mas teve de fazer uma leve mudança de instalações. :)

carpe vitam! disse...

Ora... podias ter avisado, né?

QJ disse...

Pois é marota, mudas de casa... não dizes nada, e apareces assim sorrateiramente com pézinhos de lã...